Nada do que foi será...
Vivemos tempos curiosos. Antigamente, quando alguém era refutado em uma conversa, havia um gesto nobre e quase extinto: o silêncio constrangido, seguido de um discreto “é, faz sentido”. Mas hoje isso beira a heresia. Aceitar que se estava errado virou uma espécie de fraqueza moral, um ato que ameaça a própria integridade da personalidade digital. Afinal, se você reconhece um erro, o que será que as pessoas vão pensar? Que você é... razoável?
É muito mais comum – e socialmente aceito – optar pelo caminho glorioso da vergonha. Sim, a vergonha pública, porém com convicção. Você ignora os fatos apresentados, redobra a paixão pelo argumento furado, começa a citar fontes duvidosas, vídeos com thumbs em caixa alta, e, se tudo falhar, apela pro bom e velho “isso é tudo questão de opinião”. Porque nada como relativizar a realidade quando ela insiste em te contrariar.
Nesse momento, já não se trata mais da ideia em si, mas de uma luta pessoal contra o rebaixamento intelectual. Você está cercado de fatos, mas resiste bravamente, como um guerreiro medieval segurando uma colher contra canhões. Pode não fazer sentido, mas ao menos é teatral.
No fim, admitir que perdeu um argumento é simples, rápido e indolor. Mas onde estaria a emoção nisso? Melhor seguir firme na arte de passar vergonha com estilo. Afinal, coerência é superestimada. Orgulho, esse sim, nunca sai de moda.

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