Vítima Universal: O Mundo Gira em Torno de Mim (e dos Meus Delírios)
Existe uma galera por aí que não anda, flutua. Vive num plano superior onde tudo o que acontece no universo — desde o aumento do dólar até a chuva na terça — é um ataque pessoal. Se alguém tossiu do outro lado da rua? Indireta. Se o chefe pediu um relatório? Perseguição. Se o crush visualizou e não respondeu? Boicote emocional de alta periculosidade.
Essa turma não sofre de egocentrismo — sofre de protagonismo crônico. Vive num enredo próprio onde o roteiro é escrito com tinta de complô e papel de conspiração. O mundo real? Só serve como fundo verde pros devaneios cinematográficos que rodam dentro da cabeça.
E quando a realidade bate à porta, ela é ignorada. Porque, convenhamos, viver num mundo onde tudo gira ao seu redor é bem mais confortável do que aceitar que, às vezes, ninguém tá nem aí pra você — e tá tudo bem.
Sonhar é bonito. O problema é confundir sonho com paranoia, e delírio com identidade. Mas quem somos nós pra julgar? Talvez sejamos só coadjuvantes na minissérie dramática de quem acredita que tá sendo vigiado pelo padeiro, pela vizinha e pelo gato da esquina.
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