A Mentira de Ontem

A mentira nasceu pequena. Saíra da boca de um sujeito apressado, desses que falam antes de pensar — ou que pensam apenas depois de falar. Era uma mentira simples, quase boba. Dizia respeito a alguém que nem estava presente, como toda boa fofoca que se preze.

Mas a mentira, coitada, não sabia o próprio tamanho. E quando caiu no ouvido da segunda pessoa, ganhou altura. Na terceira, engordou. Na quarta, já usava salto alto, maquiagem e andava pelas ruas de cabeça erguida, como quem carrega uma verdade absoluta.

Espalharam-na por mensagem, olhar torto e meia-palavra. A mentira virou assunto de barbearia, comentário em grupo de WhatsApp, legenda de foto maldosa. Ganhou curtidas, risadas e emojis indignados.

O problema da mentira não é só ela. É o eco. É o gosto que alguns têm de segurá-la na língua e cuspir com gosto, como se fosse justiça. A mentira é um prato que se serve cru, mas que queima por dentro. E o pior: raramente volta para o dono.

Quem mentiu já nem se lembrava. Quem ouviu, aumentou. E quem foi alvo... bem, esse tentou explicar, justificar, desmentir. Mas, como toda mentira bem contada, ela já tinha feito morada.

Mentir é plantar espinho no quintal do outro e achar que vai nascer flor.

E a verdade? A verdade chegou atrasada. Veio de chinelo, sem alarde, batendo na porta com educação. Poucos abriram. Afinal, ninguém quer trocar uma história boa por uma explicação chata.



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