O influenciador que não influenciava ninguém (mas achava que sim)
Por Lin
Ele nasceu pra brilhar. Só faltou alguém avisar o mundo.
No reino dos stories de 7 visualizações, reinava soberano um influenciador que ninguém conhecia — exceto a mãe, a tia Zuleide e um amigo do ensino médio que ainda não teve coragem de dar unfollow.
Mas isso nunca o impediu de se declarar "criador de conteúdo digital", mesmo que o conteúdo fosse só repost de meme alheio com a legenda: “Falou tudo, irmão!”
🛍️ Fazia “publi” de marcas que nunca fizeram publi com ele.
Comprava um shampoo na farmácia e já mandava:
“Recebido do dia ✨ Obrigado @MarcaFamosa pela confiança no meu trabalho.”
A marca visualizou? Não.
A marca sabia quem era? Também não.
Mas isso não o impediu de seguir postando com a convicção de um ex-BBB em lançamento de livro.
📉 Tinha mais posts do que seguidores.
Toda semana criava um sorteio:
“Sorteio de uma marmita da minha mãe + um abraço meu. Pra participar: siga o perfil, marque 16 amigos e declare seu amor por mim nos comentários.”
Teve dois participantes. Um deles era ele mesmo com perfil fake.
🎤 Se achava inspiração.
Postava frases como:
“Seja você mesmo. Mesmo que ninguém queira.”
E no caso dele, ninguém queria mesmo.
Mas ele era resiliente.
Na bio, colocava:
“Trabalho com engajamento, influência e transformação.”
Só não especificava que era transformação dele mesmo em palhaço digital.
💼 E claro, sempre à disposição para jobs.
“Aberto para parcerias!”
Parcerias com quem?
Com a autoestima dele, que era claramente patrocinada por alguma substância desconhecida.
No fim, o problema nunca foi tentar.
O problema é achar que tá influenciando só porque 4 pessoas curtiram um reels onde ele dança igual um poste com cãibra.
Mas se tem uma coisa que ele nos ensinou, é que a vergonha alheia também pode ser conteúdo.
E isso, meus amigos, é influência demais pra pouca noção.

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