O protagonista do apocalipse

A arte de transformar tudo em engajamento — mesmo quando não é sobre você

Vivemos na era do like fácil.
Se o mundo acabasse hoje, muita gente correria pra postar um Reels com a legenda:
“Fim do mundo me pegou desprevenido, mas pelo menos eu tava bonito.”

Numa sociedade movida por curtidas, tudo vira oportunidade de autopromoção — mesmo aquilo que não te diz respeito em absolutamente nada.


O show de vaidades disfarçado de empatia

Tragédia, causa social, polêmica da semana ou o surto de um pombo: não importa o contexto, sempre surge alguém dizendo:

“Isso me lembra quando EU…”

A pessoa nem tem relação com o tema, mas executa uma verdadeira ginástica emocional olímpica só pra se colocar no centro da pauta.

Exemplos práticos (e absurdamente reais):

  • 🌍 Acontece um terremoto? Ela lembra quando a avó quebrou o pé e diz que sente a dor do mundo.

  • 💔 Alguém perde um ente querido? Ela posta que está grata por ainda ter a tartaruga viva.

  • 🏆 Um conhecido vence um prêmio? Ela lembra que dividiu uma Coca com ele em 2008 e, por isso, também “fez parte da conquista”.

É ou não é um talento?


O figurante que quer virar protagonista

Esse comportamento já ultrapassou os limites do constrangimento.
Não é mais empatia, é protagonismo forçado.

A pessoa não quer ajudar, entender ou somar. Ela quer aparecer.

É como aquele figurante de cena de tragédia que grita:
“OLHA MÃE, TÔ NA GLOBO!”
Mesmo que seja só pra apontar o dedo no caos.


Conclusão: a nova pandemia é o ego

Talvez a maior pandemia da década não tenha sido o vírus.
Foi esse vício em relevância, essa ânsia em dizer "estou aqui", mesmo quando ninguém perguntou.

Porque, na cabeça de alguns, se não for sobre eles…
não vale like nenhum.


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