Os Mitos da Corrosão Relâmpago
Cinco meses. Cento e poucos dias. É tempo suficiente para aprender francês, plantar uma horta, ou... fazer parecer que uma cama hospitalar se deteriorou do nada. Mas a realidade é outra: essa cama já estava podre há muito tempo.
Vamos aos fatos (com uma pitada de poesia hospitalar):
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Dia 1: A cama já tinha uma lasca no pé esquerdo e um parafuso prestes a pedir demissão.
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Dia 15: O encosto já rangia uma música triste de ferrugem, mas como ninguém se deitou com muita força, ficou por isso mesmo.
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Dia 60: As rodas travavam em linha reta. Não por desgaste, mas por estilo de vida sedentário herdado desde o lote da fábrica.
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Dia 100: Um pedaço da grade lateral caiu. Não por uso excessivo, mas por saudades da juventude.
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Dia 150: A cama virou manchete. Agora, sim, parecia ter envelhecido em tempo recorde. Mas quem a conhece de perto sabe: ela nasceu assim.
A corrosão não tem pressa — o descaso, sim
Não foi o tempo. Foi a falta de tempo dedicado. O cuidado nunca chegou, e a ferrugem só fez o que a ferrugem sabe fazer: revelar o abandono.
Cinco meses? Não. Esse é apenas o tempo que levou para alguém notar.
Nota séria, mas nem tanto:
A manutenção de equipamentos hospitalares é essencial para garantir segurança e dignidade. Mas vamos combinar: às vezes, o problema não é a ferrugem — é o timing da indignação.
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