Mãe, Até Quando?
Existem mães que colocam o corpo na frente da bala pelo filho.
E existem outras que colocam o filho na frente da bala pra salvar a própria pele.
Quando uma mãe escolhe jogar nas costas da filha menor de idade os crimes que ela mesma cometeu, ela não está apenas errando — está rasgando, em praça pública, o que significa ser mãe.
Ser mãe não é só dar a vida.
É proteger, guiar, assumir responsabilidades — mesmo quando dói, mesmo quando erra, mesmo quando isso significa enfrentar consequências.
Mas ela não fez isso.
Ela olhou pra filha com a frieza de quem vê uma chance de se safar.
E decidiu que era melhor manchar o futuro da menina do que limpar o próprio passado.
Disse que a filha fez.
Disse que a filha sabia.
Disse que era a menina por trás das telas — porque, afinal, a menina é menor de idade, não vai presa, vai ser só “um sustinho”.
Mas o que essa mãe não entendeu é que não se apaga uma culpa jogando-a nas mãos de quem ainda está aprendendo a viver.
Não se protege a si mesma destruindo a inocência do outro.
A filha vai crescer.
Com marcas invisíveis.
Com a sensação amarga de ter sido usada por quem devia ensinar o que é dignidade.
Com a dúvida constante: se até minha mãe me usou… em quem posso confiar?
E a mãe?
Essa já está condenada.
Talvez não nos tribunais da lei, mas certamente nos da consciência — e, pior, no coração da própria filha.
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