*Silêncio de burro é só o fôlego da próxima burrice*
Tem gente que acredita que o silêncio é sinal de sabedoria. Às vezes é. Mas às vezes — e isso é mais comum do que gostaríamos — o silêncio é apenas a respiração funda de um burro antes de cometer a próxima burrice monumental.
Você já percebeu? Quando o cidadão, que normalmente se mete em tudo, some, baixa o tom, deixa de dar opinião, e até parece que está refletindo... ah, meu amigo, pode se preparar. É só o intervalo dramático da tragédia.
É como aquela calmaria antes da tempestade, sabe? O burro silencia não por sabedoria, mas porque está ocupado organizando a besteira nova. Talvez dessa vez ele coloque o nome do filho de “Maverick Jr.” porque assistiu *Top Gun* na noite anterior. Talvez vá vender o carro para entrar numa pirâmide de alface orgânica. Ou, quem sabe, resolva tatuar o CPF da ex no pescoço porque “é um número que marcou a minha vida”.
O silêncio do burro é traiçoeiro porque dá a falsa impressão de evolução. As pessoas em volta até respiram aliviadas. “Olha só, ele amadureceu”, dizem. Não amadureceu, não. Só está com o GPS recalculando a rota da próxima mancada.
E não pense que é maldade chamar de burro. Burro aqui é conceito, é comportamento — não é falta de estudo, nem de leitura, nem de acesso. É a arte de insistir no erro com orgulho. É ter convicção na escolha errada e disposição para repetir, só que mais feio.
Por isso, da próxima vez que aquele conhecido, parente ou político que vive metendo os pés pelas mãos aparecer mais contido, não comemore. Observe. Espere. Porque o burro, quando fica quieto, não está em paz. Está carregando a burrice no colo, como quem embala um plano infalível... que vai falhar espetacularmente.
E a gente vai assistir tudo de camarote. De novo.
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