A Inveja de Quem Abraça
É curioso como a inveja nunca vem com o rosto feio. Ela vem de sorriso aberto, palmas batendo forte, emoji de foguinho no story, e um “tô feliz por você” que soa bonito, mas estranhamente vazio.
A inveja que vem de um estranho não machuca. É só barulho ao longe, como carro passando na avenida. Mas a inveja de quem senta à mesa com você, de quem sabe dos seus tropeços e mesmo assim torce para o tombo… essa é afiada.
Tem amigo que não quer te ver cair. Mas também não quer te ver subir muito. Quer você por perto, sim — mas no mesmo degrau. Se você avança dois passos, ele sorri, mas o canto da boca treme. Não é ódio, não é raiva. É inveja envergonhada, que se disfarça de afeto.
Você nota nas entrelinhas: no elogio murcho, no sumiço repentino, na ausência nas conquistas e na presença nos momentos difíceis (não pra ajudar — mas pra ver de perto).
A inveja de amigo é silêncio quando você grita vitória. É deboche disfarçado de piada. É conselho que freia. É torcida que parece, mas não é.
E o pior: não dá pra brigar com ela. Porque ela vem embalada de carinho, vem em nome da amizade. E você duvida de si. Será que é coisa da minha cabeça?
Mas não é.
Tem amigo que quer o seu bem… até ele começar a brilhar mais do que o dele. E aí o laço aperta. Porque tem gente que prefere perder o amigo a ver o amigo vencer.

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